terça-feira, 19 de março de 2013
A proposta
A ansiedade para ler a tal proposta era imensa, mas assim que cheguei à minha casa e comecei a ler já vi uma primeira coisa que ter que abrir mão e sem dizer que alem de tudo teria que ser uma decisão não só minha, mas também do meu marido e depende também de outros fatores como uma aprovação dos seus superiores de novamente conceder outra transferência. – Antes de terminar de ler já estava fazendo planos e me preocupando com hipóteses que nem sei se são realmente necessárias.
Estava terminando de ler quando notei a Alice carregando seu novo amigo de pelúcia que ganhara de presente da tia Lana e era praticamente do seu tamanho.
- Mamãe caiu doce aqui em cima ó – e apontou para a cabeça do bicho – e foi quando o Miguel apareceu.
- Até que dessa vez o Stanley demorou a te enviar outro script de trabalho, ele disse tentando esboçar um sorriso, porém sem sucesso algum.
- Não é um roteiro... É uma proposta de emprego, em outra cidade. Na verdade não é somente “outra cidade” e sim em Sunset Valley. Estão investindo alto na cidade, já tem até grandes locais pra Shows.
- E querem você? E para o azar deles escolheram uma pessoa que venera essa cidade e não pensa em se mudar daqui por nada nesse mundo.
- Sim, eles me escolheram, porém esqueceram que eu represento e não apresento. E a decisão de qualquer forma não caberia só a mim.
- Tem razão... Mas lá com certeza existe uma corporação ao qual não tenho duvidas que eles me encaixem e sempre fui a favor de que as crianças cresçam em uma cidade mais decente do que essa, portando eu jogo a decisão em suas mãos. Agora vou tomar um banho para jantar.
Não há o que pensar eu adoro minha casa e a minha cidade poluída, Peguei a Alice e fui dar um banho nela e colocar aquele bicho enorme de pelúcia em cima da máquina, tem que ser lavado com urgência. Nunca vi tanta sujeira em um único brinquedo.
- Certeza que não acha mais seguro comprar uma pizza? Muitos problemas podem ser evitados com isso, como uma dor de estômago ou uma cólica intestinal... – Ele tirou sarro assim que me viu com ingredientes para preparar o jantar.
- Pizza engorda tá louco que vou comer aquele veneno, isso é só misturar ovos e leite nessa mistura e cozinhar, o perigo vai ser só se eu tacar fogo na casa, mas meu herói está aqui, então tudo bem.
Quando sentamos para "jantar" (já que na verdade aquilo nem era uma refeição decente) ele notou as flores em cima da mesa.
- Outro admirador ou estão mesmo decididos a contratar você?
- Na verdade pelo que li eu já sou contratada, é uma filial dos estúdios em Sunset, só estão tentando me convencer a mudar de cidade e de mudar de profissão. Agora para de falar nisso e assuma que ficou gostoso.
- Comestível, mas está no caminho certo. Se praticar mais alguns anos vai conseguir fazer algo decente. – Acho tão indelicado da parte dele, pelo menos eu me esforço... – Chutei a canela dele, mas o cachorro só riu.
quarta-feira, 13 de março de 2013
De volta à rotina
A minha missão com a Lana foi um sucesso e não sei como a Sam conseguiu ficar naquela cidade fantasma por tanto tempo. A coisa mais divertida ali foi escutar a Lana falando besteiras depois de beber tanto – ainda bem que levei as bebidas, acho que naquele lugar é proibido. – Corri o risco de ficar no mesmo quarto que a Lana e ser jogada pela janela caso aparecesse do nada algum bonitão e ela quisesse ficar a sós com ele – milagres acontecem de vez em quando, mas pra minha sorte não aconteceu – Eu voltei pra casa sã e salva e na volta nada de cavalos no meio do caminho.
Cheguei em casa e o Miguel já não estava ali, as crianças estavam dormindo e já passava das nove da manhã. – meu celular tocou.
- Ser estrela não significa que não tem um contrato a cumprir Andrea e que só apareça pra trabalhar quando quiser, preciso de você aqui em meia hora! – Ouvi reclamações do Stanley no outro lado. – Alguém havia acordado de mau humor hoje.
- Estou indo chefinho lindo! Depois de um banho de espumas e tomar café da manhã, não comi nada ainda hoje, até mais – Ignorei seus resmungos e desliguei o telefone.
- Depois calmamente dirigi até o estúdio e já tinha passado mais de duas horas depois do telefonema. – Na entrada encontrei o Devin deitado no capô do seu carro despreocupadamente – Foi inevitável não reparar seu novo corte de cabelo – ele sorriu assim que me viu.
- O chefe amanheceu do avesso hoje, é melhor se preparar.
- Já ouvi umas reclamações por telefone, ele disse que precisava me ver ainda hoje.
- Então boa sorte eu vou ficar por aqui mesmo já levei minha bronca hoje, e... Bom que finalmente voltou...
- Foi bom voltar, agora deixa ir logo. A propósito... Gostei do novo penteado
- Finalmente Andrea! – Essa foi a recepção do Stanley a me ver. – Sabe como é a vida... Está bem e financeiramente estável ai de repente precisa tomar novos rumos e andar por caminhos diferentes. E novas oportunidades surgem e com elas novas experiências – Por um momento achei que ele estava surtando, não havia nenhum sentido no que ele estava falando. – Bem, ele voltou ao assunto, tenho uma coisa séria para te falar, ou melhor, você tem uma proposta nova de trabalho e me deram a missão de passar para você.
- Que roubada é essa Stanley? No que vão me colocar agora? Não estou gostando disso. Se for pra me colocar em um Reality Show pode esquecer, odeio aquilo – já fui descartando hipóteses.
- Não é nada disso, você recebeu um convite para apresentar um programa, pediram para que pensasse com carinho e enviaram essas flores. Parece uma boa proposta e se fosse você não pensaria duas vezes. – Ele me entregou um buquê de flores brancas e depois a proposta por escrito. – Leia em casa e pense bem, claro que terá que abrir mão de algumas coisas e se aceitar, mas vai valer a pena.
- Recebemos broncas e ela recebe proposta de trabalho e flores? Tão justo esse mundo...
- Não é minha proposta Devin, e ela têm que pensar bem antes de aceitar ou rejeitar.
quinta-feira, 7 de março de 2013
Um fim de mundo chamado Twinbrook
Não acreditei quando coloquei os pés em casa, parecia uma eternidade aquele tempo em Monte Vista. Foi bom ver meu primo que não via há muitos anos e a sua família que eu acabara de conhecer, mas nada melhor do que estar em casa. Por pouco tempo, eu havia prometido à Lana que iria para Twimbrook convencer a louca da Sam a voltar para a cidade. Faltava avisar ao Miguel sobre isso. Ele estava no quarto.
- Amor senta aqui... – O puxei ali no chão mesmo e sentei de frente a ele. – Vou para Twimbrook antes do amanhecer, de carro mesmo, e não vou ficar mais do que dois dias. Preciso ajudar a Lana a convencer a surtada da Sam a voltar para Bridgeport. – Claro que ele não gostou da ideia, mas não era algo para ser discutido, ele queria que eu levasse pelo menos a Alice, mas queria pelo menos ter a liberdade de curtir uns dias só eu e minhas amigas. E de qualquer forma não iria demorar mesmo
Cheguei horas depois, e qual outro lugar do mundo eu corria o risco de quase atropelar um cavalo selvagem que atravessou na frente do meu carro? Olhei pelo retrovisor depois do susto para constatar que nada de grave havia acontecido com o bicho além do susto. Claro que naquele fim do mundo o sinal do GPS do carro também havia simplesmente evaporado logo após cruzar a ponte. – Estava em frente à delegacia, ironia, não é? Desci e mandei uma mensagem pra Lana perguntando aonde a Sam se escondia, quer dizer, mora. Não era difícil de chegar eu estava perto, mais uns dez minutinhos no máximo.
Cheguei e coloquei meu carro o mais longe possível, subi a escada em silêncio, tive o cuidado de prestar atenção ao numero da casa, já pensou eu aprontar algo na casa errada? Toquei a campainha diversas vezes e bati com força na porta. Lembrei-me do meu tempo de adolescente travessa. Tentei mudar o máximo a minha voz a deixando mais grave e rouca.
- Sam?! Sam?! Ai eu corri e me escondi atrás de uma pilastra e fiquei esperando ela aparecer.
Ela saiu e olhou para os lados a procura de alguém, mas não achou. Eu não estava mais aguentando segurar a risada então pulei nela agarrando-a pelas costas, ri mais ainda do susto que consegui provocar na minha amiga, e o grito...
- Saudades amoreca?
- Quer me matar do coração Deh?! Isso lá é coisa que se faça? – Não conseguia responder, eu mal conseguia respirar direito de tanto rir.
Lana logo apareceu na varanda e abracei as duas.
- Vim ajudar a Lana a colocar juízo na sua cabecinha e te arrastar de volta para Bridgeport dona Sam nem que seja a força, portando nada de desculpas. Agora me diz... O que vamos fazer mesmo hoje? Meu tempo aqui é curto, acabei de chegar de Monte Vista e estou cansada, porém eu espero que tenha algo decente para fazer nesse fim de mundo a não ser atropelar cavalos, quero aproveitar o momento com as minhas amigas. Algo como sair para beber... Vende bebidas na cidade, não vende? – Provoquei – Mas não se preocupe com isso, se não vende eu trouxe meu próprio estoque para bebermos aqui mesmo na sua casa se for necessário e talvez até seja mais seguro.
- Amor senta aqui... – O puxei ali no chão mesmo e sentei de frente a ele. – Vou para Twimbrook antes do amanhecer, de carro mesmo, e não vou ficar mais do que dois dias. Preciso ajudar a Lana a convencer a surtada da Sam a voltar para Bridgeport. – Claro que ele não gostou da ideia, mas não era algo para ser discutido, ele queria que eu levasse pelo menos a Alice, mas queria pelo menos ter a liberdade de curtir uns dias só eu e minhas amigas. E de qualquer forma não iria demorar mesmo
Cheguei horas depois, e qual outro lugar do mundo eu corria o risco de quase atropelar um cavalo selvagem que atravessou na frente do meu carro? Olhei pelo retrovisor depois do susto para constatar que nada de grave havia acontecido com o bicho além do susto. Claro que naquele fim do mundo o sinal do GPS do carro também havia simplesmente evaporado logo após cruzar a ponte. – Estava em frente à delegacia, ironia, não é? Desci e mandei uma mensagem pra Lana perguntando aonde a Sam se escondia, quer dizer, mora. Não era difícil de chegar eu estava perto, mais uns dez minutinhos no máximo.
Cheguei e coloquei meu carro o mais longe possível, subi a escada em silêncio, tive o cuidado de prestar atenção ao numero da casa, já pensou eu aprontar algo na casa errada? Toquei a campainha diversas vezes e bati com força na porta. Lembrei-me do meu tempo de adolescente travessa. Tentei mudar o máximo a minha voz a deixando mais grave e rouca.
- Sam?! Sam?! Ai eu corri e me escondi atrás de uma pilastra e fiquei esperando ela aparecer.
Ela saiu e olhou para os lados a procura de alguém, mas não achou. Eu não estava mais aguentando segurar a risada então pulei nela agarrando-a pelas costas, ri mais ainda do susto que consegui provocar na minha amiga, e o grito...
- Saudades amoreca?
- Quer me matar do coração Deh?! Isso lá é coisa que se faça? – Não conseguia responder, eu mal conseguia respirar direito de tanto rir.
Lana logo apareceu na varanda e abracei as duas.
- Vim ajudar a Lana a colocar juízo na sua cabecinha e te arrastar de volta para Bridgeport dona Sam nem que seja a força, portando nada de desculpas. Agora me diz... O que vamos fazer mesmo hoje? Meu tempo aqui é curto, acabei de chegar de Monte Vista e estou cansada, porém eu espero que tenha algo decente para fazer nesse fim de mundo a não ser atropelar cavalos, quero aproveitar o momento com as minhas amigas. Algo como sair para beber... Vende bebidas na cidade, não vende? – Provoquei – Mas não se preocupe com isso, se não vende eu trouxe meu próprio estoque para bebermos aqui mesmo na sua casa se for necessário e talvez até seja mais seguro.
domingo, 3 de março de 2013
Monte Vista - Parte Final
Finalmente chegou o dia de ler
o testamento, não era nada demais e fui sozinha, o Miguel preferiu ficar em
casa e deixar isso por minha conta por tratar de assunto de família, mas
lembrou de que dessa vez nada de qualquer tipo de demonstrações de afeto com o
Patrizio. Não achei ruim já que aproveitaria para dar um tchau para a Bianca. Ele
ligou pela manhã para lembrar – Na casa da mamãe, já pedi a um taxi para te
pegar e a porta estará destrancada, você é de casa, não precisa bater. – Não parecia
que ainda era de tarde já que a chuva resolveu dar o ar da sua graça e o tempo
escureceu.
Entrei e havia um homem na sala
e apressou ao vir ao meu encontro.
- Sra. Andrea Montez, prazer,
eu sou Pepe Moretti o advogado da família é um prazer conhecê-la.
- Muito prazer Sr Moretti, meu
primo ainda não chegou?
- O Patrizio acabou de subir
para pegar alguns papéis que guardou no cofre, logo estará de volta.
- Então Pepe meu amigo eu vejo
que já conheceu minha adorável prima. Agora acredita que não é apenas
coincidência de sobrenomes, certo? – Ouvi a voz do meu primo e ele estava
descendo a escada
- Nunca iria imaginar que uma
coisa feia como você poderia ser primo da famosa Andrea Montez.
Logo Patrizio estava a minha
frente segurando minha mão. – Não
imagina como estou feliz em te rever Andrea e se me permite te dizer, ainda
está mais linda hoje.
- Patrizio seu bobo. Estou
igualzinha a ultima vez que nos vimos em sua casa
- Bem vamos ao que interessa,
por favor, sente-se.
- Eu prometo ser breve – Pepe
iniciou a conversa. Não precisa ser nada tão formal apenas colocarei aqui a
vontade da Sra. Isabella. Conforme me foi passado a casa e outros bens já eram
herança dos seus avós paternos e pela vontade da mesma ela queria repassar para
a sua sobrinha a parte da sua mãe que lhe é de direito. A vontade dela é que a
Senhora Montez fique com essa casa e com tudo que há nela. E o Patrizio com a
que mora, o restante será vendido e dividido entre os dois.
- Eu agradeço, mas não acho
justo... O Patrizio cresceu aqui e acho que ele tem mais direito aqui do que
eu.
- Ih Patrizio acho que ela já
ouviu por ai a história que contam sobre o Sr. Valentine
- Que história? – Eu não sabia
de história alguma e agora eu gostaria de saber do que se tratava.
- O Patrizio pode lhe contar
melhor, mas falam pela cidade que o espírito do Sr Valentine ainda perambula
por essa casa e muitas pessoas dizem que já o viram quando olharam para a
janela do segundo andar desta casa. Embora eu não acredite em uma palavra
disso.
- É tudo um monte de bobagem,
mas graças a isso Bianca se recusa a por os pés aqui. – Patrizio se manifestou.
- De qualquer forma e verdade
ou não acredito que o Patrizio tenha mais direito a essa casa. A infância e
adolescência dele também faz parte da história daqui. Ele pode ficar com tudo
aqui, inclusive com o Gasparzinho. Meus filhos são todos pequenos e não gosto de
arriscar colocando em uma casa lotada de escadas. Eu posso passar isso pra
ele?
- Podem negociar entre vocês e
se chegarem a um acordo justo nós colocaremos em papel e tudo estará acabado. – Assim ficou decidido e antes de partir
desejei de todo coração de que um dia eles fossem me visitar em Bridgeport e se
hospedassem na minha casa, ficaria muito feliz com isso. Agora nada mais me
prendia a Monte Vista e logo estaria de volta na minha casa.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Monte Vista - Parte VII
Quando finalmente meu celular deu sinal de vida vi os recados da Lan na caixa postal, liguei em seguida e pelo milagre de Deus ela veio ao meu encontro, trouxe presentes para as crianças e ainda que com certo
receio eu insisti para que ela segurasse seu afilhado. Claro que não foi tudo
tão perfeito ali e com sua cara de pau ela teve coragem de cantar o Miguel na
minha cara assim que o viu com o novo visual. – Se não fosse minha amiga e eu
soubesse que ela expressou sua gracinha em voz alta apenas para me irritar eu
teria partido ela ao meio sem pensar duas vezes.
Deixei
as crianças aos cuidados do pai e fui com a Lana até o Café Molto Expresso e
conversamos sobre minha família e ela sobre sua orgia com os gêmeos. Pena que
quando conseguimos nos encontrar ela já estava com a viagem de volta marcada
para o dia seguinte.
Eu
também não pretendia ficar muito na cidade, mas prometi a Bianca que teríamos
um tempo só nós duas então quando soube do festival da cidade a levei comigo
para passear. Quando chegamos ao local reconheci na hora o armazém abandonado
aonde eu e o Patrizio nos protegemos da chuva aquela vez, claro que agora ele
tem mais serventia e que por ironia começou a cair sem dó quando chegamos.
Tomamos um sorvete e tudo mais que uma prima dedicada, linda e amorosa como eu poderia
fazer para agradar uma menina tão entusiasmada como ela. Até pedi para uma
senhora que passava tirar uma foto nossa para que ela guardasse de lembrança.
Assim que o tempo melhorou fomos passear la fora e fiquei
com pena ao falar para ela que minha volta à Bridgeport não demoraria a
acontecer, precisaria voltar às gravações e o Miguel ao seu trabalho. Partiu
meu coração ao olhar para ela e vê-la chorando. Se pudesse carregaria a menina
comigo.
Enchi a
pequena de carinhos, agradei como pude e comprei a ela um presente e prometi
que voltaria em breve, mas ainda iriamos nos ver novamente antes da minha
partida.
Cheguei a
casa e fui surpreendida com rosas vermelhas e um irrecusável convite para
jantar com meu marido no restaurante do centro da cidade. Não perderia uma
oportunidade dessas por nada. Cidade acolhedora, comida maravilhosa e a
companhia perfeita do meu marido. Subi correndo para
tomar um merecido banho e escolher uma roupa. – Sim realmente não é fácil
encontrar uma roupa, acho que deixei as melhores em Bridgeport. Ainda precisava arrumar o cabelo, passar um
perfume... Demorei quase três horas para ficar pronta, ele já estava inquieto.
-
Demorou tanto e esqueceu-se de colocar o resto da roupa? Você é uma mulher casada,
não deveria anda assim.
- Com um
guarda costas do lado eles vão fazer de conta que nem vão me ver, agora para de
graça e vamos, não estava com pressa?
Fizemos
nossos pedidos e comemos sem pressa e falamos sobre a leitura do testamento no
dia seguinte e sobre as passagens já compradas também para amanhã.
O jantar
foi perfeito e aproveitei para beber um pouco mais. - Fomos caminhando pela cidade - eu apoiada um pouco no Miguel. Tudo já estava praticamente deserto por
causa do horário. O Miguel me puxou para um cantinho em frente ao Museu.
- Vem
aqui, aquele dia não quis namorar e fui fazer suas vontades e hoje é minha
vez... Esse vestido curto só vai facilitar as coisas. – Hum... Por que eu diria
não? Escondido ainda continua sendo mais gostoso.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Monte Vista - Parte VI
No outro
dia depois do café da manhã o Miguel veio ao meu encontro no quarto, ele estava
estranho desde a noite anterior.
- Que
foi aquilo afinal de contas Andréa? Ainda não consegui digerir aquilo e é bom
que pare com essa mania de sair beijando, já tenho que aguentar gracinhas por
causas dos seus filmes que eu prefiro nem assistir e você ainda sai beijando na
minha frente? Acha que eu tenho cara do que? Agora vai sair agarrando todo
mundo por ai e acha mesmo que eu vou ter que aguentar isso?
- Ah
amor não fala assim vai?! Não foi nada demais. Ele é meu primo e é o único laço
que eu tenho com a minha família. Foi só um beijo fraternal eu o considero como
um irmão. Se fosse algo demais não faria na sua frente, faria? Não ia expor meu
primo ao risco de levar uma surra igual ao coitado do Devin. – ele riu
lembrando-se desse fato.
- Ele
mereceu, mas estou falando sério, o próximo que você fizer isso seja lá quem
for eu quebro o nariz. – ficou sério novamente.
- Era só
isso? Já ameaçou e agora o que vamos fazer durante o dia? – mudei logo de
assunto para não estragar o dia.
-
Passear pela cidade é claro! Vamos agora mesmo só vou colocar uma roupa.
- E eu
também! Rapidinho eu fico pronta. – tentei passar por ele, mas ele me suspendeu
no ar mudando minha direção.
- De
jeito nenhum! – Se abrir aquela cômoda ou o guarda roupas não sairá de casa
antes das duas da tarde e ainda vai reclamar que está sem roupa pra sair. Pode
me esperar lá embaixo, você está ótima assim. – Nem tentei passar por ele
novamente, não iria conseguir mesmo.
Passeamos
tranquilamente por vários pontos da cidade sem sermos muito incomodados. Vimos
algumas coisas interessantes e passando de frente ao cinema o Miguel convidou
para ver um filme em cartaz, mas tive uma ideia melhor.
- Então
pra onde vamos madame? – Fazer um lanche ou ir ali naquele lugar mais escondido
ali e namorar um pouco? – Embora a segunda opção fosse tentadora eu pensei em
algo diferente.
- Tenho
uma ideia melhor... Vamos comprar umas roupas.
- Ah nem
pensar, não vou ficar horas esperando você experimentar um monte de roupas e
comprar apenas duas ou três.
- Quem
disse que é pra mim? É pra você. Sempre diz que nunca tem tempo pra isso e já
tem meses que não compra uma camiseta pelo menos... E... Acho que eu vi um
lugar por ali.
Não foi
fácil mantê-lo dentro de uma loja por algum tempo. Ele saiu escolhendo qualquer
coisa só pra sair depressa da loja, mas eu fiz experimentar pelo menos umas
cinco – sim foi o máximo que eu consegui – Depois de praticamente ser carregada
loja afora eu ainda tinha outra missão. – Convence-lo a cortar os cabelos
- Faço
isso quando chegarmos de viajem e vou lá naquele lugar de sempre.
- Nem
pensar! Lugar de sempre, corte de sempre, cara de sempre... – praticamente
implorei para convencer a entrar em um salão. – Dei as dicas do que queria para
a cabelereira
-
Satisfeita?! Agora vamos sair logo desse lugar antes que você invente mais
alguma coisa.
- Siiim
eu fiquei muito satisfeita com o resultado final, vamos embora, mas depois
quero sair pra jantar com você.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Monte Vista - Parte V
- Mamãe
planejou voltarmos pra cá quando eu fizesse 18 anos, faltavam apenas dois meses...
Seria uma viajem muito diferente de quando era adolescente, mas infelizmente
não deu tempo... – Lembrar-se de como foi triste a perda da minha mãe em um
acidente durante uma viagem que ela fez para assinar o divórcio com meu pai em um
país distante me fez vir a lágrimas. Era saudade misturado à raiva que sentia
do meu pai por de certa forma ter sido a causa de tudo isso. Quase dois anos depois
recebi a noticia de sua morte também, não quis saber o motivo só sei que como
única herdeira eu recebi toda sua fortuna. E se soubesse administrar eu não
precisaria trabalhar nunca mais na minha vida. Mas isso não traria minha mãe de
volta...
- Ei,
calma. Agora você tem sua família... Patrizio tentava me acalmar e só ai eu
percebi que estava molhando sua camisa com minhas lágrimas.
- O que
está acontecendo? – Miguel perguntou quando me viu chorando.
-
Recordações, umas agradáveis, outras tristes... – Patrizio explicou e logo fui
envolvida nos braços do meu marido para me confortar.
- Alice
já se cansou e está perguntando pela mamãe, quer lavar o rosto primeiro? – Ele
gentilmente tentava me acalmar – Claro que eu precisava e retocar a maquiagem
borrada também. Eu tinha que cumprir a promessa que tinha feito pra mim mesma
que sempre estaria ao lado da minha família e não deixaria nada estragar isso.
Almoçamos
juntos e acho que nunca comi tanto na minha vida. Diversos pratos e saladas,
mas ir até a Itália e não comer macarrão parecia um crime pra mim, não tem
igual em qualquer outra parte do mundo... Tinha a impressão que iria explodir.
– Não me lembrava de como era bom a família reunida em volta da mesa
conversando sobre assuntos alegres e falando bobagens. A família de Patrizio é
tão linda quanto a minha e durante o almoço ficamos sabendo que Isabella estava
grávida novamente.
- Está
vendo amor eles passaram na nossa frente, vai deixar isso? Fala pra ela
Isabella sobre a magia de ser mãe... – Se a mesa não fosse de vidro para me
denunciar eu o beliscaria o Miguel nos seus países baixos naquela hora.
Depois
Bianca me levou para conhecer seu lugar favorito no quintal – uma casa na
árvore – e fizemos um tour pela propriedade.
- Vem logo
antes que escureça! – ela segurava minha mão e estava muito animada. Nós deparamos
com o Miguel carregando no ombro o Antonio – que já não estava mais
envergonhado – E a Alice estava fazendo birra no chão porque já era a vez dela.
– Quanto tempo o Miguel vai aguentar com aqueles dois? – ela achou graça
- Ele é
bem resistente, acredite.
Quando
passamos de volta ele estava caído no chão com as crianças ao seu lado
reclamando querendo mais brincadeiras e ele ali estirado parecendo exausto...
- Bora
belo adormecido!
- Vamos
antes que terminem de sugar o resto da minha energia. – ele disse já levantando.
Já
prontos para ir embora eu dei um selinho em meu primo – viu? Não precisei te derrubar para fazer isso – falei zombando. – estava tão feliz de ter passado
o dia com eles, mas não pude sair de lá sem antes prometer que voltaria outro
dia antes de voltar a Bridgeport e logo nos encontraríamos novamente para ver o
testamento da titia.
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