sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Um encontro com a Sam, a madrinha desnaturada

Para irmos ao parque era necessário que todos nós tomássemos de um banho. Eu passei a metade de um dia sentada no chão, Alice estava suada, e o Miguel ainda de uniforme que chama muito a atenção da mulherada que sempre são chegadas a homens vestidos assim... – Então sem chances. – Infelizmente o Heitor havia acabado de dormir, então a babá ficou tomando conta dele.
Quando chegamos ao parque o Miguel entrou todo orgulhoso segurando a mão da Alice que fez questão de colocar uns óculos de sol como o papai.



Ele a levou para brincar no balanço e outros brinquedos adequados  para a sua idade e ela nem ligava para mim – quanta ingratidão da parte dela. Fiquei pensando quando o Heitor crescesse então como ele seria ainda mais babão em ter um menino para brincar com bola e essas coisas que a Alice não curte.



Enquanto o Miguel continuava paparicando a Alice eu voltei ao carro e peguei a cesta de piquenique. Durante nossa conversa surgiu uma ideia divertida. Já tinha muito tempo que não dávamos uma festa para os amigos e com esse negócio de paparazzi nos seguindo a todo o momento, por que não fazer uma e tentar engana-los? Seria legal uma festa bem informal e com todo esse calor porque não uma a beira da piscina? Ele mencionou sua lista e eu a minha... Bem temos dois amigos em comum que talvez gostassem de se encontrar novamente...



 E por falar em amigos não é que acabei encontrando uma bem ali mesmo no parque? – Na verdade ela nos encontrou, talvez ela estivesse perdida ou se escondendo do tal Aaron que eu acho que é algum tipo de psicopata.
- Que lindo a família mais fofa de Bridgeport juntinhos. – Na hora não acreditei em tamanha coincidência, foi falar em festa ela apareceu. Levantei para cumprimenta-la.



 - Só assim mesmo em dona Sam?! Não tem mais tempo para as amigas e para a pobre afilhada que ainda sente saudades da dinda desnaturada que tem.
- Ah não, tenha santa paciência! Pode ir parando. Lá vem você com essa conversa. Sem drama você sabe que estava nos meus planos ir até sua casa.
- Planos, planos... – Eu iria começar um discurso, mas pra não espantar minha amiga e também por lembrar dos meus planos era melhor ficar quieta.



- Sam eu e o Mi estamos planejando alugar uma casa para dar uma festa bem informal na piscina e você não vai fazer uma desfeita desta comigo, vai?! – Na verdade foi mais uma intimação do que um convite que ela não seria louca de recusar.
 - Claro Dekita eu não tenho nem como recusar antes de aprender autodefesa e que mal tem uma festa na casa da minha best? Aposto que vai ser divertido, agora se me da licença vou dar um beijo na Alice.



 Ela pegou a Alice e com toda paciência do mundo ficou ali contando histórias e brincando de esconde-esconde por um tempo considerável e minha filha que ficava muito feliz com cada gesto de carinho e atenção da sua madrinha. – Tão bom ser criança eles não tem a noção que a madrinha desnaturada estava tentando recompensar em apenas um dia toda a atenção que ficou devendo em todos esses anos. Enquanto planejava alguns detalhes com o Miguel ficava escutando a Alice se acabar de tanto rir e quando parecia que o silencio voltaria começava tudo de novo.
- "Ah não, alguém viu a Alice por ai? Não consigo encontra-la" - Ai  começava tudo de novo.




domingo, 16 de dezembro de 2012

Enfim um pouco de tranquilidade - Parte 2

- Eu deveria ter olhado no relógio antes de ligar, desculpe.
- Estou no meu horário de almoço, não se preocupe. – Tive o intento de levantar-me, mas antes de me mexer ele sentou.
- Eu estou aqui a um bom tempo, já estava pensando em ir pra casa,
- De qualquer forma eu gosto de vir aqui, é um dos meus lugares favoritos em Bridgeport.
- É o único que me faz sentir melhor e parece que me purifica, não sei explicar... – disse olhando pra cima enquanto inspirava profundamente e deixando o sol bater em meu rosto.


Ainda ficamos um pouco ali conversando sobre vários assuntos até sentir minha perna adormecer – e meu bumbum doer pra caramba – e ele gentilmente ofereceu pra me ajudar.
- Ei Lamarca posso te fazer uma pergunta? – Na verdade eu nem sabia se ele era a pessoa certa pra falar sobre isso, mas oficialmente ele é o único amigo homem que eu tenho no momento.



Toquei no assunto do Devin e como isso tudo abalou a nossa amizade e ele falou que a maioria dos homens pensa em tirar uma casquinha e discretamente disse que eu deveria ter imposto um limite entre nós. - Mas nunca escondi de ninguém o amor que sinto pelo meu marido e pela minha família e aquele beijo fazia parte da cena, nunca iria imaginar que ele levaria para o pessoal e daria um beijo de verdade. – Agora eu sempre vou ficar com um pé atrás quando estiver conversando com um amigo e tenho que escolher as palavras que eu falo então.



Já estava na hora dele voltar ao trabalho e eu para casa e minha família. Antes de nos irmos embora convidei o Lamarca para um dia desses aparecer em casa para ele treinar um pouco artes marciais com o Miguel já que agora ele se recusa a treinar comigo depois que acertou aquele golpe em mim.
Ainda bem que eu estava de saída já que me descobriram ali e já não seria mais um lugar sossegado.



Cheguei a casa e segui o barulho que estava ali pertinho e vi o Miguel brincando com a Alice que se divertia muito no ombro do papai.
- “Vai papai, vai mais rápido!” – Ela pedia enquanto dava muitas gargalhadas.
- Não acha que demorou muito não? – reclamou assim que me viu
- Fui meditar e depois o Lamarca apareceu e ficamos conversando um pouco. Convidei-o pra vir qualquer dia desses pra treinar com você.
- Que maravilha, preciso mesmo treinar com um oponente mais forte do que uma fracote como você.
- Estou muito zen pra conseguir me irritar querido.
- Sem graça isso – ele riu – Agora você vai tomar um banho e trocar de roupa ou vai assim mesmo? A Alice e eu estávamos te esperando, ela quer ir brincar no parque.






terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Enfim um pouco de tranquilidade

Depois que o Miguel saiu para o trabalho eu tomei um banho beeeeeem demorado na intenção de que aquela água levasse junto pelo menos metade do mau humor e estresse dos últimos dias. Coloquei uma roupa leve e de cor clara pra ver se isso ajudaria a levantar meu astral.
Já na garagem e de frente para o meu carro lembrei-me do meu amigo que disse que poderia chamar para me acompanhar durante a meditação. Disquei e antes que chamasse - e eu acho que nem chegou a completar a ligação eu desliguei. EU estava em casa nesse horário sem fazer nada, mas ele estaria no trabalho. Que esquecida.



Cheguei e ao admirar o lugar é sempre incrível e nunca me canso. Puxei o ar com toda força para que o ar do lugar entrasse em meus pulmões e isso já me fazia sentir muito melhor. Olhei ao redor e não vi ninguém acho que finalmente as coisas estão ao meu favor.



 No primeiro passo para procurar um lugar mais isolado uma borboleta linda veio pousar no meu nariz o que faria que eu entrasse em pânico se fosse em outra época e outra pouco tempo depois veio na palma da minha mão... Espero mesmo que tudo isso seja algum tipo de sinal que as coisas melhorem para mim.



Finalmente arrumei um lugar entre as flores e de ruim ali o máximo que aconteceria era a árvore estar com cupim e cair na minha cabeça. - Sentei e me acomodei - Fechei os olhos e de início era minha intenção era de concentrar na minha respiração, mas o suave bater das asas das borboletas desse lugar sempre me prende a atenção. Comecei esvaziar a minha mente dos problemas dos últimos dias e logo eu estava ali completamente relaxada.



Fiquei ali um tempo considerável e quando comecei a preocupar com o tempo escutei passos bem leves em minha direção e conhecia apenas duas pessoas que reconhecem e preocupam em não atrapalhar uma meditação, mas os dois estavam em horário de trabalho, ou não? - Inclinei levemente minha cabeça para trás e abri os olhos e lá estava meu amigo sorrindo pra mim. 
- Desculpe, pensei que a ligação nem tivesse sido completada...





segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Café da manhã

- Eu faço o favor de te trazer de volta e ainda fica com cara feia? – Reclamou assim que entrei no quintal sem falar com ele.
- Precisava ficar me esperando lá na porta do elevador como se eu fosse uma retardada Miguel? Porque me trouxe pra casa? Eu sei vir sozinha, ou estava com medo que eu voltasse para o apartamento do Devin?
- Não estava não eu Só quis ser gentil com ao minha esposa, não posso?
- E aquela conversa que estava atrasado?
- Que droga Andréa você quis que te levasse lá, esqueceu? E se não me quisesse lá não me obrigasse a ir. Trouxe de volta porque achei que fosse o certo a fazer. Fique ai reclamando com as paredes que eu estou indo.



Bem, de noite nos entendemos  o que é melhor parte como sempre, mas mesmo assim eu dormi super mal e já que eu estava em casa sem ter muito que fazer mesmo e ainda morrendo de fome eu decidi que iria colocar ordem naquela bagunça e nada melhor do que descontar minha raiva em algum incompetente. Desde que eu voltei pra Bridge liguei para a agência e onde está o mordomo que até agora não enviaram? Estavam fabricando um pra mim?
- Como assim houve um erro de sistema? Estou esperando esse tempo todo um mordomo e simplesmente meu cadastro não existe mais? – Pedidos e mais pedidos de desculpas e uma promessa que no máximo três dias teria um mordomo. Agora eu já estava me sentindo melhor.



 No momento o que eu poderia fazer era dar um jeito na fome e como não tinha nada pronto resolvi arriscar de novo na cozinha. Quebrei ovos, coloquei farinha, açúcar e leite... Misturei e misturei até meus braços cansarem.
Peguei uma frigideira e acendi com cuidado o fogo e eu juro que tentei fazer com que não grudasse e adivinhem? Deu certo!
Resultado final: Um monte de vasilhas sujas, fogão imundo, a frigideira acho que vai sobreviver e panquecas prontas. O gosto não deveria estar lá essas coisas, mas pelo menos eu consegui.



- Nossa você quase acordou as crianças com sua conversa no telefone. Eu pensei em colocar um colete a prova de balas antes de vir te dar bom dia. – Ele apareceu pouco tempo depois de tudo terminado.
- Own até parece que não está acostumado – Nunca estou estressada pra te dar um bom dia querido. Que tal tomar seu café da manhã?
- O que tentou fazer dessa vez? Não deveria tentar sabe que você e a cozinha não se dão muito bem.
- Rá, rá, rá... Muito engraçado
- O cheiro está “maravilhoso”, mas acho que vou comer um cereal lá no serviço mesmo estou atrasado.
Não sai daqui sem seu café que eu fiz com tanto carinho. Vai trocar de roupa que vou te esperar.



Ele apareceu algum tempo depois já de uniforme e sentou-se a minha frente.
- Não estou mesmo com fome.
- Nem vai experimentar Miguel? – Na verdade nem foi uma pergunta, foi uma ameaça.
- Ficou brava mesmo por ontem, não é? Está até me castigando – Fiz uma cara ainda mais irritada e então ele juntou as mãos e com tom de graça fez uma oração.  “- Que meu estômago seja forte o suficiente para aguentar essa comida, amém!”
- Ah qual é? Não sei por que fala mal as panquecas nem estava tão ruim assim – pelo menos essa não.
- Tem razão, não está, mas não arrisque a sorte duas vezes no mesmo dia eu encomendo o nosso jantar no restaurante.
- Tudo bem, nem gosto de cozinhar muito mesmo e vou sair mais tarde, acho que estou precisando voltar a meditar. 




terça-feira, 20 de novembro de 2012

Um dia de visita - Final

Quando entrei no quarto ele parecia estar tentando levantar da cama.
- Ai! – Ele reclamou alto assim que fez força para erguer o dorso para sentar na beira da cama.
- É melhor continuar deitado, não parece muito bem.
- Quem disse? Eu estou ótimo – É claro que o esforço que ele fazia mostrava o contrário.
A moça ficou perto da cama longe de mim com os braços cruzados me olhando com uma cara feia que até doía.
- Poderia dar licença Cindy? – Ele pediu educadamente, mas ela não se mexeu. – Escutei uma sirene lá fora, é algum tipo de ameaça ou o prédio está pegando fogo?




Com um pouco de dificuldade ele sentou na beira da cama virado para mim com as pernas cruzadas. Seu corpo pendeu para frente e eu segurei pelos ombros e depois passei as mãos por seu rosto.
- Não é só uma provocação. Você foi teimoso eu pedi para parar, mas não quero falar disso eu só vim saber como você estava. E pelo jeito não está muito bem.
- Ótimo, já viu agora vai embora – Ela gritava comigo agora e indicava a porta da saída.
- Eu disse pra você nos dar licença Cindy! – Ele disse novamente só que agora com a voz mais alterada.
- Não acredito Devin, eu não acredito! – Saiu esbravejando e pisando duro porta afora.
- Veio porque o brutamonte ficou vangloriando de tudo que aconteceu? Eu estou muito bem, obrigado.




Ele teimou e levantou da cama com um pouco de dificuldade.
- Não, ele não fez isso. Ele nem queria me contar, vim porque você é meu amigo droga! – Agora ele de frente percebia o seu rosto com alguns hematomas e sua boca ainda mais machucada que a do Mi.
- Ganhei novamente meu status de amigo, quanta honra – ironizou.



- Devin o que você tem na cabeça? Olha o que sua teimosia fez
- Minha teimosia te trouxe aqui, não trouxe?
- Hoje no seu apartamento, mas na próxima eu não vou visitar seu tumulo. Engraçadinho. Sério, para com isso vai.
- Sabe que não é fácil, não sabe?
- Sim eu imagino. Quero saber se está mesmo bem, precisa de alguma coisa?
- De uma enfermeira – piscou pra mim, fingi não ver. - Eu preciso ir agora – e abracei meu amigo abusado



 Ouvi a sirene novamente, o Miguel deveria estar soltando fogo pelo nariz.
- Já não tem uma?
- A minha irmã Cindy? Ta brincando?! Ela da mais trabalho do que ajuda essa peste
- De qualquer forma tem companhia. E o trabalho? Está afastado? Falou o que houve?
- Ele nem deixou e conhece o Stanley ele só reclamava e disse pra não voltar lá até me recuperar.
- Obrigado pela visita. – e apertou contra seu corpo – Leva um pouco do meu perfume pro engomadinho.
- Solta Devin! – Eu que vou bater em vocês dois, que droga! Cuida-se seu louco.
Atravessei em direção a porta rápido para não ouvir reclamações da doida e quando fechei a porta dei de cara com o Miguel me esperando ao lado do elevador. 


sábado, 10 de novembro de 2012

Dia de visita - Parte 01


Tomei um banho e coloquei uma roupa comportada caso contrário ele poderia me trancar dentro de casa, amava toda vez que o Mi franzia a sobrancelha como sinal de reprovação.
- Anda logo, não tenho o dia todo pra te esperar meu serviço começa daqui 40m – ele disse irritado.
- É caminho Mi e é só me deixar lá de frente ai você termina seu trajeto.
- Um caramba! Eu tenho cara de otário? Não saio de lá sem você. Já chega você querer ir lá.
- Estou pronta amor! Ignorei por completo seu comentário. Mas não se preocupe eu fiquei longe por semanas e não vai ser aqui que vou cair em tentação. – Passei por ele e dei um beijo em uma ruga que se formou por causa do seu mau humor. – Uma estátua tinha a aparência menos fria que ele.
- Finalmente! – reclamou.



 Ele parou bem de frente ao prédio e fez questão de ligar a sirene assim que eu desci.
- Só pra ele lembrar-se de mim, aquele panaca. – Vou esperar ali, esse lugar tem cheiro de estrume.
- Crianças... – Virei e fui logo cumprir minha missão de boa samaritana. 
Antes de entrar no prédio olhei de longe e o vi atravessando a rua. 



Cheguei à porta do apartamento n° 702 e fiquei lá feito uma idiota com o dedo esticado indeciso se tocava ou não a campainha. – Respirei fundo e apertei. Não demorou muito para uma moça abrir a porta. A feição de surpresa do rosto sardento logo transformou para uma cara de raiva e nada amistoso.
- Oi eu sou a...
- Eu sei quem você é, imagino o que veio fazer, mas isso não quer dizer que é bem vinda aqui.
- Calma eu só quero falar com o Devin. Saber como ele está
- Não é por sua causa que ele está assim? 




- Como assim por minha causa? Eu não tenho culpa que ele é um maluco que ficou me procurando sabendo que eu sou casada e sabendo como meu marido é tão ciumento.
- Está fazendo o que aqui? Pelo visto é uma bela sem vergonha, isso sim.
- Olha aqui garota se não calar a boca eu esqueço minha educação e dou na sua cara. – alterei minha voz sem querer. Vocês sabem como é meu humor, quem é afinal essa garota folgada?
- Olha como estou tremendo de medo de você – Disse sacudindo as mãos imitando estar tremendo.
- Não vim aqui pra falar com você garota, onde é que ele está? – Ela cruzou os braços e não me disse uma palavra, apenas me encarou de novo.



- Andréa é você? Ouvi a voz do meu amigo vindo de dentro do apartamento.
- Sim sou eu, mas não sabia que você tinha um cão de guarda em casa.
- Cindy, para de graça e deixa-a entrar.
- Viu?! Sou bem vinda até ele diga ao contrário. – Fiz uma cara tão feia quanto à dela, empurrei para o lado com a mão. – Com licença! – e fui adentrando no cômodo que de onde pareceu vir à voz do Devin.
- Melhor você ir embora – Ela rosnou do meu lado, mas é claro que eu ignorei a sardenta.





terça-feira, 6 de novembro de 2012

Como era de se esperar...

Passei a noite grudada a ele fazendo carinhos em seu cabelo e beijando sua nunca. Eu imaginava o que tinha acontecido, porém eu estava com receio de perguntar. Até aonde o Devin contou e qual foi a versão dele? E por mais que eu estivesse brava por ele provavelmente ser a causa disso tudo eu estava preocupada, será que ele estava bem?
Porque o Miguel não falava comigo sobre isso?



 Ele levantou cedo, talvez nem tenha dormido direito assim como eu. Ele colocou seu quimono agora talvez fosse a vez do boneco de treino sofrer com sua raiva. Eu pretendia colocar meu estresse pra fora também então porque não treinar comigo?
- Eu quero treinar também – fazia mesmo muito tempo que eu tinha praticado, seria muito bom praticar um pouco.E eu ainda tenho mais tempo de artes marciais do que ele.
- Não vou lutar com você Deh, hoje não é uma boa ideia eu posso te machucar.
- Com medo de perder para uma mulher? – Desafiei.



 Não sei o que deu na minha cabeça para desafiar o Miguel em um dia ruim e a minha cabeça ainda estava preocupada com o que teria acontecido com o Devin. Eu tinha certeza que tinha acontecido algo com ele. Nada de mensagens hoje e ele não iria parar assim de uma hora pra outra. Pedi tanto e ele não parou...
Senti uma pancada forte no meu rosto nesse instante que fez minha visão escurecer e eu me desequilibrei.



- Amor? Você está bem? Desculpe eu disse que não era uma boa ideia. – Eu senti os braços do Miguel me amparando por trás e deitando-me no seu colo.
- Não foi culpa sua eu que me distrai. Eu estou preocupada com ontem. Não vai me falar o que houve? – Ele fez uma expressão de raiva e levantou em seguida.
- Você sabe o que houve e está preocupada com o idiota do Devin não é? Eu só não acabei com aquele imbecil porque eu aprendi ter autocontrole usar minha força para salvar vidas e não acabar com elas, mesmo que seja de um ser insignificante como ele, mas saiba que não foi nada fácil. 
- Não deveria ter feito isso com ele Miguel!



- Não? Então tudo bem se tem um galã de quinta categoria tentando a todo o momento destruir minha família? – ele deu uma pausa e em seguida apoiou com suas mãos fechadas em uma pedra que havia ali perto. Parecia que ele iria explodir de tanta raiva. – Minha vontade era de não parar de bater nele. – disse por final.
- Ele é meu amigo e está confuso Mi logo ela arruma alguém e esquece tudo isso. – Levantei um pouco tonta e fiquei pensando como o Devin teria ficado.
- Amigo? Ele me disse que tenho sorte por você me amar tanto senão teria conseguido roubar você de mim durante as gravações naquela maldita ilha. O que ele aconteceu entre vocês lá?! Disse entre os dentes quase grunhindo.



 - Como assim o que houve? O que houve é que meu marido violou minha privacidade e pra completar espancou meu amigo!  Eu estava cuidando disso, você não tinha o direito!
- E ele estava no mínimo achando maravilhoso esse joguinho. E você nunca mexe no meu celular, certo?! – Xeque mate! – Claro que eu mexia, sempre mexi pra falar a verdade até mesmo quando éramos namorados.
- Tudo bem, ele apenas me disse o que sentia depois que aconteceu uma cena entre nossos personagens, mas eu nunca dei qualquer esperança a ele.
- Que cena? – perguntou ainda mais desconfiado.
- Pensei que não se interessava pelo meu trabalho – disse fazendo pouco caso, mas de qualquer forma eu não lembro ao certo. Não acho que é necessária tal informação. – Estou com dor de cabeça Mi, vou tomar um banho e ir ver como ele está.



- Como é que é? Não você não vai não! – Ele disse exaltado.
- É só um tempo de um banho e ficar limpinha e bem perfumada.
- E precisa de tudo isso? Precisa ir? Manda uma mensagem ele não perturbou tanto com isso? Faz uma ligação...
- Shiiiiiiiu – Coloquei o dedo na sua boca e o fiz ficar quieto. Eu vou e você vai me levar pra aprender. Por sorte ele não chamou a polícia e te denunciou. Você levaria uma punição ou seria afastado da corporação...
- Só se você for comigo no caminhão por que tenho que trabalhar daqui a pouco, mas não espere que eu leve flores ou fique cheiroso pra agradecer ele por não me denunciar. E vou ficar do lado de fora te esperando – ele estava irritado de verdade com a tal visita.
- Tudo bem pra mim bobão – Pendurei no seu pescoço e dei um beijo gostoso – Eu te amo tanto Mi! – disse fazendo gracinha antes de entrar.



quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Da água pro vinho


Eu continuava na minha licença e afastada do trabalho e graças a isso longe dos meus colegas de trabalho por isso comecei a receber várias ligações que eu nunca atendia então ele mudou e começou a enviar vários SMS e sempre da mesma pessoa – leia-se Devin – e por mais que eu bloqueasse o número ele voltava a insistir com um número diferente. Uma hora com um uma mensagem curta e educada como “Estou com saudades, preciso muito falar com você” ou com outras como “eu te amo e não vou desistir de tentar” – O que ele queria afinal? Ele já sabia que nunca largaria minha família. A cada SMS tinha que ter o trabalho de ficar excluindo e algumas eu ainda respondia pedindo, por favor, para que parasse, mas nunca adiantava.


 Nessa hora tinha acabado de excluir mais SMS quando meu telefone tocou novamente já fui com o dedo pra desligar quando vi que o número era do Miguel.
- Oi amor, estou saindo do trabalho daqui a pouco e que tal sairmos hoje para jantar naquele restaurante que você adora?
- Claro Mi, vou adorar – Não acredito que ele tomou a iniciativa sem que eu precisasse pedir. 
- Antes vou passar em um lugar e logo vou pra casa. Beijos e até mais.
Aonde ele iria?


Tomei banho, passei perfume e finalmente arrumei uma ótima oportunidade para usar meu lindo vestido Prada. Caprichei no visual ajeitei meu cabelo e faltava apenas retocar a maquiagem. O Miguel logo estaria em casa. Ouvi dois toques de mensagens enquanto terminava de me arrumar. Não acredito que iria começar justamente agora.
- Amor eu já cheguei – escutei sua voz vinda do quarto.
- Estou quase acabando Mi, só mais cinco minutinhos. – eu sempre falo isso, mas nunca cumpro o prazo preciso sair tenho que tomar cuidado com todos os detalhes. – e ouvi outro toque de mensagem.
- Eu me esqueci de resolver um assunto urgente, eu já volto. Vou com seu carro, tá? – Escutei sua voz já ao longe parecia que foi até correndo. E ele nem gosta do meu carro, porque iria sair com ele? – Fui até o quarto e peguei meu telefone e pra minha surpresa não havia nenhuma mensagem. Será que estou doida? Tenho certeza que ele havia dado toques de mensagem, eu devo estar traumatizada.



 Estava cansada de esperar sem dizer que estava morrendo de fome e passou quase duas horas e só ai que finalmente escutei o barulho do portão da garagem abrir. Estava indo pegar a minha bolsa quando ele entrou no quarto.
- Que lindo seu cabelo Mi!! – Ele usava esse tipo de penteado quando começamos a namorar e eu adorava – Ei espera, o que é isso? Machucou os lábios? Deixa-me ver.
- Está machucado? – ele pareceu surpreso – Não é nada eu só me machuquei durante o trabalho. – Disse recuando. Parecia zangado.
- Eu acho melhor deixar pra sair outro dia, espero que não fique chateada. Pode pedir uma pizza?
- Pizza? Sério? Eu não me arrumei assim pra comer pizza Miguel! – Minha preocupação com ele se transformou em raiva, tanta produção pra comer pizza?! Fiquei mesmo irritada.



- Desculpe por isso. – Ele passou a mão no cabelo e desfez todo o penteado e colocou sua roupa de ginástica. Isso significava que ele estava aborrecido com alguma coisa.
Ele foi até seus equipamentos e começou a malhar com toda sua força ainda que isso parecesse desnecessário.
- Porque está aborrecido Miguel? O que aconteceu?
- Quem disse que eu estou aborrecido? Só não estou mais com vontade de sair. – Eu não podia ver seu rosto nesse momento, mas sua voz o denunciava. Ele realmente estava bravo eu só não sei o que poderia ter acontecido, ele que ligou todo animado para sairmos pra jantar e de repente ficou assim. – Fiquei confusa. 


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Então era o Will?

Passei parte da manhã dando uma espiada na internet. Email foi o primeiro e a caixa de entrada estava lotada entre fãs, contatos profissionais e amigos – entre esses dois do Devin que não perdi meu precioso tempo para ler e enviei sem dó para a lixeira eletrônica. Ocupei meu tempo para por em dia minha leitura no blog do meu amigo Lamarca e foi ai que a Alice apareceu pra me fazer companhia pedindo o colo e um pouco de atenção. Dei uma rolada na página para ter a certeza que ela poderia olhar as ilustrações da página caso resolvesse parar de bater no teclado.
Não acreditei quando ele mencionou a ida do seu amigo Will até a ilha e que estava a nossa procura – era o rapaz que trombou em mim eu gritei com ele por causa do meu mau humor.



 A babá estava em casa, mas a Alice preferiu ficar brincando no meu quarto enquanto eu fiquei deitada na cama. Fiquei pensando sobre o ocorrido – não podia ter feito aquilo com o coitado. Quando dei por mim estava anoitecendo e levantei para ver as horas. Olhei para os lados e nem sinal da Alice. O Heitor estava no seu quarto fazendo o que mais gostava – dormir – e encontrei a Alice dormindo nos braços do papai em uma espreguiçadeira perto da piscina. A brisa fresquinha que soprava me fez entender a escolha dos dois por aquele lugar embora os pernilongos começassem a aparecer.
- Ei belo adormecido, melhor levar a Alice pro quarto antes que virem banquete de mosquitos.



Enquanto ele colocava a Alice no seu berço eu fiquei sentada no pequeno sofá do quarto. – Ele ergueu minhas pernas e sentou no sofá também.
- Que foi? Parece preocupada.
- Parece que dei uma bola fora gritando com um rapaz no aeroporto quando estava voltando pra casa.
- Se for assim você vive dando bola fora é o que mais você faz. Talvez essa seja sua marca registrada.
- Não brinca com isso Mi, estou me sentindo muito mal.



- E porque está com a consciência pesada?
- É um amigo do Lamarca e já havíamos falado sobre ele. O Will... É um super fã sabe? Aqueles que fazem loucuras para chegar perto dos artistas favoritos, mas ele parecia estar fugindo de alguém e não prestou atenção e acabou trombando em mim enquanto eu discutia com a Lana e eu estava com tanta raiva dela que descontei no coitado.
- Então talvez eu não precise sentir pena dele, certo? Talvez eu precise manter você longe dele. Vai que ele tente te agarrar ou algo do tipo... – ele pareceu preocupado.
- Talvez depois do que eu aprontei ele queira apenas um autógrafo, agora se for pra alguém proteger talvez seja minha função nesse caso. Com certeza ele vai preferir muito mais agarrar você a mim, mas pode deixar que se um dia ele aparecer aqui eu irei te proteger querido.




Vamos esquecer isso por enquanto? Prefiro curtir você mais um pouco. – O que poderia ser melhor do que estar no colo do meu marido naquele momento? – Foi ai que tocou um alerta chato de sms vindo do meu celular, na verdade esse alerta tocou mais umas três vezes, mas por nada deixaria o que estava fazendo para ver uma mensagem de celular, na verdade se ele me irritasse mais um pouco eu seria capaz de arremessá-lo contra a parede para que parasse.
Voltei minha atenção ao que interessava. É irresistível olhar tão pertinho seus olhos tão verdes e não puxa-lo para mais perto de mim.








segunda-feira, 15 de outubro de 2012

De volta para os meus amores


A viagem de volta foi cansativa, porém animada. Todos não viam a hora de voltar para casa e eu particularmente tinha uma saudade imensa da minha família e da minha cidade, mal via a hora de colocar os meus lindos pés de novo em Bridgeport e assim que o avião pousou eu fui uma das primeiras a dar um tchau comunitário e ir correndo pra casa. Não havia avisado o horário certo do voo por motivos até mesmo de falta de informação e acabei chegando mais cedo do que o previsto. Estava com tantas saudades que nem se o Miguel fosse me buscar com seu caminhão de bombeiros seria o passeio mais agradável de todos, mas restou pegar um taxi mesmo.
Cheguei e ele já havia ido para o trabalho então corri para ver meus filhos. Heitor e Alice  <3



Tentei, mas não consegui ficar ali sentada ou deitada que fosse, peguei a chave do carro e corri para a corporação. Dei de cara com o Donato assim que coloquei os pés lá.
- Dona Andrea que bom que está de volta! Foi mais um desabafo do que uma comemoração.
- Obrigada, e o Miguel? Onde ele está?
- Acabou de subir, parece que foi tomar um banho. Ele anda muito estressado ultimamente e descontava tudo em nós, estamos trabalhando como escravos.
- Já não é final do expediente? Podem ir embora e eu vou subir ali para falar com ele.
- Então até qualquer dia desses e bem vinda de volta.


Subi correndo as escadas e o encontrei indo em direção ao chuveiro. Mesmo de costa e com o mesmo uniforme de sempre ele estava lindo.
- Ei senhor bombeiro, poderia me ajudar, por favor? – Ele parou no mesmo instante e eu corri em sua direção.
- Eu adoraria te ajudar moça, onde é o incêndio? – Como se ele não soubesse.
- Acho que é autocombustão, está vindo de lá de baixo e está subindo aos poucos... – Mal consegui terminar de falar e já estava beijando com toda minha vontade.
- Estava indo tomar um banho para ir te buscar no aeroporto – Falou no momento em que conseguiu um ar para respirar.
- Conseguimos adiantar o voo. Estava com tantas saudades Mi... – Não teve tempo para palavras apenas nos beijamos novamente e cada vez com mais intensidade.  



Ele levantou-me como se estivesse levantando uma pena e eu o envolvi com minhas pernas enquanto o desejo tomava conta de nossos corpos ainda mais. – Ele me encostou contra a parede.
- Vamos cuidar logo disso, já que agora estamos os dois em chamas. – Só queria saber quem estaria com mais desejo naquele instante. – Eu estava tomada de vontade de me entregar a ele ali mesmo sem me importar com a janela que dava de frente para a rua ou o risco de alguém aparecer ali para trocar de roupa antes de ir embora.
- É o que eu mais quero.



Ele me levou no colo até o cômodo mais próximo que era o banheiro masculino. Ali mesmo e sem perder tempo fomos livrando com pressa de nossas roupas e ele me tomou de novo em seus braços me elevando até conectarmos completamente nossos corpos. Não sei como pode ser ainda tão mágico quando estamos juntos depois desse tempo, mas é. – Eu amo quando ele me toma em seus braços, seus beijos, seus carinhos, seu cheiro, seus olhos, seu corpo, seu cabelo e tudo mais que vem dele. Saciamos ali um pouco da nossa saudade e já era inicio da noite quando fomos para casa. Teríamos mais toda a noite para curtir minha volta.