sábado, 12 de maio de 2012

Se me conhecem bem...


    Quem ficou na duvida que eu prefira ficar em um desconfortável cabana a um apartamento do meu “adorável” sogro? – Claro que não ficaria devendo favor algum a ele mesmo o Miguel me dizendo que seria alugado através de uma imobiliária aquele lugar não me trazia boas recordações. Não, não e não mesmo.
- Bem aqui estamos não da mais pra desistir.
- Não vou desistir não sou tão cheia de frescuras assim Miguel e você sabe disso.
- Então o que esta esperando? Vamos entrar e conhecer nossa casa pelos próximos dias.


Eu dei uma olhadinha pela vizinhança – Eu já disse para vocês que a tal cabana é aquela próxima à ponte que liga os dois lados da cidade? – Pois é... Meu único medo é do barulho do trânsito daquele lugar não me deixar dormir e os insetos... Será que tem muitos por aqui? Acho que é melhor parar de pensar e entrar logo.
Se eu conseguir dar um jeitinho aqui eu mostro pra vocês como ficou a casa por dentro, mas no momento é melhor não. 


Junto com a nossa pequena mudança veio o maravilhoso caminhão do Miguel que eu tanto “adoro”
- “Ele ficou muito tempo parado enquanto estávamos em Hidden Springs então preciso fazer uma manutenção” – Ele começou a explicação antes que eu reclamasse. Também veio com a conversa que ali tinha bastante espaço e não demoraria muito... E essas coisas que eu sabia que era mentira. Quando ele pega esse caminhão pra consertar leva horas.
- Tudo bem, o dia está lindo e vamos ficar aqui com você – Fui lá dentro troquei minha roupa pra uma mais confortável – eu disse confortável, não disse bonita – e peguei a Alice e trouxe para fora para curtir um pouco do sol da manhã e fiquei lendo pra ela enquanto seu papai trabalhava.


Ela logo adormeceu logo e depois que a coloquei no berço voltei para olhar a parte de trás da casa. A vista é bonita e acabei fazendo amizade com um cachorro de rua que fuçava ali perto
- Olha que fofo Miguel! – Chamei-o enquanto ele se exercitava ao ar livre no fundo do quintal
- Ah nem vem Deh, faça-me favor de não sair adotando tudo que é bicho que achar por ai.
- Ele é tão bonzinho, olha gostou de mim.
- E eu te amo, a Alice também e já vamos ter mais um filho pra te amar... Não acha que é o suficiente?
- Não falta um bichinho na família?
- Não, não falta! Você vai acabar é pegando pulgas desse cachorro. – Ele disse voltando a atenção ao seu exercício. Homens... Tão insensíveis.


- Vai ficar o dia todo ai? Pra que tudo isso? Primeiro foi aquele caminhão agora fica nessas barras...  – Comecei a implicar assim que deitei no chão para apreciar melhor a vista.
- Preciso manter, não é? As meninas adoram meu corpo sarado. – Ele rebateu a implicância.
- Meninas é o meu sapato na sua cara.
- É inacreditável a facilidade com que você se irrita.
- Eu não estou irritada, de onde tirou isso?
- Sabe qual seu problema? Fome. Vamos tomar um banho, nos trocar e vamos sair pra jantar. – Agora sim ele estava falando algo realmente me interessava, minha barriga estava mesmo começando a reclamar de fome. 



 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Carmita me ajuda? De novo...

Uma ligação importante tinha que ser feita naquele momento se eu quisesse que tudo estivesse pronto para a chegada do bebê. A reforma tem que ser iniciado logo já que essas coisas demoram muito até ser concluída.
- Por favor, gostaria de falar com a Carmita. – Falei com a moça do outro lado da linha, mas Infelizmente ela não estava Deixei recado com a secretária sobre minha intenção de reforma da casa pelo motivo de um aumento de um herdeiro.
Ela retornou a ligação naquela mesma tarde e combinamos um encontro no dia seguinte pela manhã.


 Com uma pontualidade difícil de ser ver hoje em dia lá estava Carmita às nove da manhã em ponto na porta da minha casa. – Falamos sobre o bebê e a necessidade de um quarto extra também para o mordomo - Será necessário diminuir o quarto da Alice, o quarto de hóspedes para fazermos o quarto do bebê. O quarto de hóspedes terá que transformá-lo no quarto para o mordomo, precisará também mexer nos banheiros. – Ela comentava durante nosso pequeno tour pela casa no que resumindo só ficaria a salvo a parte da frente da nossa casa e o resto passaria por um enorme processo de reforma.


E quando voltamos ao jardim ela logo começou o trabalho em sua prancheta para nos mostrar qual seria o melhor a fazer para satisfazer nossas necessidades.
- Vamos ver como ficará... Tem preferência nas cores? Textura? – Dei poucas sugestões – poucas mesmo – e deixei tudo por conta dela.
- Fique a vontade para decidir, faça o que achar melhor.
O Miguel apenas estava ao meu lado e não deu nenhuma sugestão a não ser o fato da sua quase certeza que dessa vez seria um menino e ela poderia apostar no azul para o quarto do bebê.
Eu fiquei observando tudo àquilo em silêncio e podia apostar que não ficará pronto a tempo.


A Carmita parecendo ler meus pensamentos – ou minha cara de preocupação – me garantiu entregar logo e disse que não me preocupasse que tudo ficaria pronto mais rápido do que eu pudesse imaginar.
- Só vão precisar sair da casa – Ela disse por fim apenas virando o rosto para nós sem parar seu trabalho.
- Providenciaremos isso o mais rápido possível
Assim que ela terminou e se retirou eu fiz ao Miguel uma pergunta que ficou me incomodando
- Ir pra onde exatamente?
- Sei lá, vamos arrumar um lugar é por pouco tempo o importante é que nós não fiquemos no meio de poeira e barulho durante o processo da reforma.


Agora era com o Miguel ele que se virasse para conseguir um lugar para ficarmos de última hora aqui em Bridgeport eu estava me sentindo cansada demais para isso.
Ainda tinha que acionar uma agência para achar um mordomo ou uma governanta para me ajudar a dar conta da casa que já era grande e iria ficar imensa.
O Miguel chegou algum tempo depois e eu estava deitada lendo enquanto a Alice brincava ao meu lado em cima da cama.
- Amor só tem duas opções, agora é com você decidir. Uma cabana aqui perto, mas um pouco desconfortável ou o apartamento que eu fiquei aquele tempo do meu pai que continua vazio. - Não tinha muito o que pensar essa foi fácil de escolher.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Home Sweet Home

Mal chegamos a nossa casa – agora sim me sinto em casa – e me aconcheguei no colo do Miguel que estava sentado no sofá e ficamos um bom tempo apreciando nossa pequena Alice a tocar sua música. Durante esse tempo me peguei pensando sobre a reforma do quarto que deveria ser feito o mais rápido possível, comprar umas flores para alegrar o ambiente, contratar uma nova babá ou talvez um mordomo já que fiquei mal acostumada e tudo mais necessário para que nossas vidas voltem a tomar o rumo de novo. 


O café da manhã eu fiz questão de fazer e levar para o lado externo da casa para sentir o ar poluído da minha cidade querida – Tudo bem que não é tão poluído assim, mas esta longe de ser aquele ar com cheiro de floresta que tem em Hidden.
- Amor eu tenho que ir à concessionária hoje pegar o meu carro.
- Ah claro, aquele carro que eu nem sei do que esta se referindo. – Eu disse zangada.
- Pensei que iria gostar de parar de andar pela cidade no caminhão dos bombeiros e não queria te incomodar com assuntos desnecessários.
- E o seu carro? Aquele amarelo lembra?
- Usei como parte do pagamento como todo mundo faz Deh. – Claro que ele pode trocar de carro sempre que quiser, mas não faz mal me avisar antes, não concordam? 


- Fez o café da manhã e agora lavando a louça? Só de voltar pra sua querida cidade já te fez sentir tão melhor assim?
- Claro, até faria uma faxina se a casa não fosse tão grande – Eu brinquei já que não tenho nenhuma vontade para fazer esse tipo de serviço.
- Esta de repouso, lembra? Melhor começar seu serviço sentando no sofá e ligando para uma agencia de empregos. Precisamos de uma faxineira com urgência.
- Eu sei, eu sei...
- Vou me trocar e ir logo para voltar o mais rápido possível, tá? – E me deu um beijinho de até logo.
- Fazer o que não é? Vou ficar aqui fora admirando a cidade por um tempo


Fiquei mesmo ali fora por um tempo vendo se conseguia notar alguma diferença na cidade. – Talvez um prédio com cor diferente ou uma mudança qualquer na casa de um vizinho ao lado, mas me pareceu tudo exatamente igual.
Pouco tempo depois escutei o portão da garagem abrindo e logo o Miguel apareceu.
- Vou te amarrar em uma cama se não fizer o que o médico recomendou – A bronca veio, mas logo depois ganhei um beijo que isso sim me fez ter vontade de me deitar um pouco.
Eu voltei para minha cidade e com isso lá se foi nossa privacidade. – Como um raio surgiu do nada um paparazzi e começou a registrar tudo com sua câmera. – Como ele conseguiu entrar?
O Miguel se aborreceu senti isso pelo suspiro que ele deu enquanto se afastava de mim. Ele dirigiu-se ao homem em nosso quintal e não sei mesmo o que ele disse, mas não demorou e logo o homem foi embora.
- Então quer ver o meu carro?


Não pude acreditar quando vi aquele carro tãããão vermelho na garagem
- Um lamborghini vermelho Miguel? Tinha que ser vermelho? Já não chega aquele caminhão imenso vermelho agora temos um carro da mesma cor?
- Fora o vermelho só havia cinco outras cores. Um branco sem graça, preto que eu não gostei um azul que parecia carro de adolescente, amarelo, mas eu já tinha um amarelo, e um verde que eu acho bem possível cegar alguém se olhar diretamente pra ele na claridade sem usar óculos de sol. Quer ir ver? – Depois dessa o que eu poderia dizer? Estava obvio que era o que ele mais tinha gostado.
- O carro é seu Miguel, se você gostou pra mim está bem.
- Não pode falar nada, você escolheu um Volvo prata estilo “Edward Cullen” – e riu.
- Não sabia que lia esse tipo de livro
- E não leio, mas ouvi você comentando quando leu. Ou talvez eu tenha lido um pouco um dia quando não tinha nada melhor pra fazer – Ele emendou em seguida e fez uma cara engraçada. – Agora foi minha vez de rir.




sábado, 14 de abril de 2012

Bye Bye Hidden Springs


    
Não demorei muito a recobrar a consciência já que mesmo de olhos fechados eu senti quando o Miguel me colocou na cama.
Naquele mesmo dia eu tive que ir ao médico para que o Miguel tivesse a certeza absoluta que eu e o bebê estávamos mesmo bem ou ele me enlouqueceria com tanta preocupação
- “Ela só precisa de repouso, mas para termos a certeza eu vou pedir alguns exames” – Essas foram as palavras do médico e graças a isso fiquei uns três dias de molho em casa.


- Tudo bem Deh, hoje finalmente veio à transferência para voltar a Bridgeport podemos deixar a Alice por algum tempo com o Ângelo e sair para comemorar se você prometer se comportar direitinho.
- Eu sempre me comporto
- Comida saudável? Promete?
- O que me der vontade Miguel, não perturba vai.
- Só quero seu melhor e isso significa obedecer as orientações médicas.
- Tá, tá, tá, tá... Que chatice... Vou me arrumar antes que desista papai. – Disse com implicância. 


Mesmo sendo um pulo até o restaurante ele insistiu em ir de carro para não fizesse esforço algum e mesmo com toda a reclamação dele eu teimei em pedir um x-filé.
- Isso não é comida.
- Tem carne, pão, pedi pra colocar tomate e manjericão... Uma refeição completa. Não implica vai?!
Ele me deixou comer sossegada, mas antes tivesse ouvido seu conselho e comido alguma coisa mais leve. Assim que me levantei senti uma dor horrível no estômago que me fez dobrar de dor. Se já não bastasse isso ainda tinha que o ouvir resmungando preocupado ao meu lado.
- Eu te avisei teimosa, vamos pra casa que eu vou ligar para o médico. – Adiantava dizer que não precisava? O jeito foi aceitar e voltar pra casa.


- “Repouso absoluto até o ultimo dia de gestação se não quiser passar meses internada em um hospital” – Mal pude acreditar quando ouvi o médico me falando isso. – Preciso dizer mais alguma coisa? Se duvidar mal posso andar pela casa sozinha. Nem pude arrumar minhas malas.
- Esta tudo ai querida, agora vou me arrumar e pegar a Alice.
Despedir do Ângelo não foi a melhor parte, já que eu queria mesmo que ele fosse comigo para Bridgeport, ele é um excelente profissional.
- Foi um prazer servi-los senhora.
- Agradeço muito por tudo Ângelo, você tinha razão em dizer que não me arrependeria de ficar com seus serviços. 


Durante o trajeto para o aeroporto fiquei com um pouco de remorso por não ter dado um tchau para o Pablo, mas não me permitiam dar um passo pra fora de casa. Depois que estiver em casa vou dar uma ligada para me desculpar – Quando o avião levantou voo pude dar uma última olhada na paisagem daquela cidade que me abrigou por quase um ano.
Agora finalmente estou indo para minha querida cidade e minha amada casa projetada especialmente para nós três... Agora seremos quatro... Terei que fazer algumas mudanças para o bebê que esta para chegar.


segunda-feira, 2 de abril de 2012

De volta à Bridgeport?


Minha rotina já esta mudando a começar pela manhã que antes acordava quando queria e agora logo cedo sou despertada com meu bebê inquieto na barriga.
- Ei, calma ai. Bom dia pra você também. Sei que você esta doido pra ouvir seu papai, ele já vem, tá?


Agora com o passar dos três meses já consigo notar a diferença em meu corpo e junto com isso as poucas roupas que continuam me servindo.
Peguei a Alice e fomos fazer compras pela cidade, mas a variedade dessa cidade é tão escassa que voltamos pra casa de mãos vazias. Não encontrei nada que me agradasse então só me resta uma coisa a fazer... Perturbar o Miguel até ele se convencer que precisamos voltar a Bridgeport.


- Olha essa roupa Miguel, estou te falando não tem nada mesmo! Não vai querer que eu fique andando por ai vestida igual a uma mendiga, vai? E que nosso filho nasça em uma cidade sem muita estrutura médica...
- Não me venha com essa, aqui também existem muitos médicos competentes dona Andrea Montez. Pode arrumar outra desculpa.
- Sem desculpas? Tudo bem. Eu NÃO gosto dessa cidade e você sabe disso e pro meu gosto já passamos tempo demais por aqui. Eu quero voltar pra minha casa e todo meu conforto em Bridge! É isso. Vamos voltar pra casa Miguel, por favor...
- Eu vou fazer o possível para isso acontecer, está bem? Ganho um sorriso antes de ir para o trabalho pelo menos? – Fiquei tão feliz com a possibilidade que era impossível não sorrir.


De tarde eu comecei a não me sentir muito bem e fui dormir. Acabei acordando com um barulho no lado de fora e fui checar o que era.
- Olha amor, trouxe uma coisa para você que vai te caber direitinho – Ele sorriu com aquela cara de sem vergonha.
- O que? – Perguntei desconfiada
- Olha ali, é todo seu. Pode mandar forrar do jeito que quiser o importante é que com você dentro vai ficar lindo.
- Um barril? Esta me chamando de gorda?
- De certa forma sim, mas se preferir podemos apenas jogar as coisas que não precisamos mais quando arrumar nossas coisas pra voltarmos pra Bridgeport


Esqueci todos os palavrões que esta prestes a despejar no sem graça do Miguel depois da noticia e o meu humor voltou a mil e junta veio uma sensação estranha que me fez perder o chão.
- Miguel... – Eu disse já fechando os olhos não aguentando mais com o peso do meu corpo e então o chão sumiu de vez debaixo dos meus pés.
- Ei, o que esta acontecendo? Você esta me ouvindo? – Senti ele se abaixando ao meu lado – Eu ouvia, mas alguma coisa me impediu de responder...